05
Sep
Oloixarac, Pola
Pabst concordava com Milk Blow que a noção de DJ de punhetas próprias era uma redundância, ou uma verdade analítica, ou uma tautologia (ultimamente preferia a enumeração à síntese). Os temas iam de Personal Jesus (o cover de Marilyn Manson ou o Ursprung de Johnny Cash), excertos de Appetite for destruction do Guns n’Roses, Alien sex fiend, Butthole surfers, Rage against the machine, Pixies, Ramstein, Sepultura. Segundo sua teoria, os anos 80 foram o verdadeiro cume do apogeu sexual: a vaidade pela primeira vez, não tinha limites. No entanto, na hora de escolher fundos musicais para a trepada de hoje, não podia descartar os ritmos furiosos e ameaçantes, de acordo com o desdobramento do materialismo histórico da vaidade: a maldade dá vontade de trepar.
A outra razão era a sua lealdade a Kamtchowsky. Se pusesse temas mais brincalhões (Don’t talk just kiss, Madonna circa 84, Britney) ou convites mais específico à sedução, majoritariamente negros (Doctor’s orders, Love to love you, baby love), estaria obrigando-a a um desdobramento de encantos pelo qual sem importar o grau de condescendência, nenhum avô/ó se animaria a testemunhar. Acreditava que Kamtchowsky, mugindo gritinhos de ardor de quatro, apreciava essa deferência em alguma parte de seus órgãos. As canções que estatisticamente fazem as adolescentes abrirem as pernas sobre os alto-falantes constituíam um desafio cruel ao universo contrafeito e sem graça de Kamtchowsky. A atividade motriz dessas garotas podia convergir em séries de instruções, como linguagens privadas no seio de uma comunidade; mas para Kamtchowsky era como se encontrar no meio de um tabuleiro de xadrez e perceber que não se é nenhuma peça. Tratava-se de uma linguagem que Kamtchowsky podia entender e, no entanto, permanecer incapaz de reproduzir mensagens”.
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Pola Oloixarac. As Teorias Selvagens.